| |
07/03/2005 00:57 Tô de casa nova!
Antes de me cansar de vez do Trovas&Trombos, resolvi mudar de casa. Vamos ver se o novo desenho do site me ajuda a me manter animado a continuar atualizando o blog. Então a partir de agora vocês me encontram aqui. Não deixem de atualizar as suas listas de favoritos. Fui...
Renato Guimaraes | comentários(4)
02/03/2005 01:41 Momento caminhando e cantando...
Está certo que está fora de moda falar de burguesia e coisa e tal. Até a burguesia fedorenta do Cazuza já havia chegado meio atrasada. Mas folheando um livre didático do segundo grau sobre literatura brasileira reencontrei a poesia abaixo do Mário de Andrade publicada em 1922 no livro Paulicéia Desvairada. Pensando bem, falar de burguesia pode estar fora de moda, mas o tema continua atual como nunca.
Ode ao burguês
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o èxtase fará sempre Sol!
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
"-Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
-Um colar... -Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!"
Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burgês!...
De Paulicéia desvairada (1922)
Renato Guimaraes | comentários(1)
28/02/2005 01:44 Ele merece!
Jamie Foxx acaba de ganhar o Oscar de melhor ator. Um dos prêmios mais bem dados pela Academia nos últimos anos. O cara merece. A interpretação sensacional de Ray Charles marca o filme “Ray” na memória de todos os que o assistiram. Se não viu ainda, vá correndo...
Renato Guimaraes | comentários(1)
21/02/2005 13:38 Tristeza não tem fim...
Abaixo, reproduzo um impressionante artigo publicado na Folha de hoje. Fala por si mesmo. Os Severinos da vida falam em aumento e outras regalias enquanto uma região que ocupa metade do Brasil se esfacela. A Justiça, cega como nunca, e o governo atarantado ajudam a triturar a carne e a vida de tantos sebastiãos anônimos. Não tem bossa nova em batida lounge, modernidade paulistana, palmas para o pôr do sol do Arpoador que escondam o fato de que uma grande parte do país foi simplesmente esquecida da Idade Média.
Guerra sem fim
KLESTER CAVALCANTI
ESPECIAL PARA FOLHA
O agricultor Sebastião de Souza, a mulher, Maria de Jesus, e os sete filhos do casal atravessavam uma trilha fechada no meio da floresta amazônica, debaixo de chuva e com lama até os joelhos. O filho mais novo do casal, Clésio, 3, estava sentado nos ombros do pai. O destino da família Souza era a delegacia de São Domingos do Araguaia, no sudeste do Pará. Sebastião queria denunciar à polícia o assassinato de João Barbosa, um amigo da família, morto na noite anterior. No caminho, cinco homens, armados de revólveres e espingardas, saltaram do meio da selva. Os filhos maiores do casal fugiram para o matagal. Sebastião recebeu um tiro de espingarda calibre 12 nas costas. Maria de Jesus atirou-se no chão lamacento.
O menino começou a chorar. Um dos criminosos pegou Clésio pelo braço esquerdo, suspendendo-o como se de um saco se tratasse. O garoto chorava, esperneava, clamava pela mãe. Maria de Jesus quis emergir da lama, mas estava paralisada de pânico. O bandido jogou Clésio sobre o corpo de Sebastião. Os assassinos alvejaram pai e filho. O legista do IML contou treze balas no corpo de Sebastião e oito no de Clésio. Os irmãos Joaquim e Hermínio Branco, fazendeiros da região, foram apontados pelo inquérito policial como mandantes do crime. Nunca foram para a cadeia. Sequer foram julgados. Os assassinatos de Sebastião de Souza, então com 48 anos, e seu filho Clésio ocorreram há mais de 17 anos, mas são o retrato atual da guerra agrária que aflige o Brasil.
A morte da missionária americana Dorothy Mae Stang, uma mulher de sorriso permanente, rosto enrugado e olhar firme, trouxe o assunto à tona. Esse crime merece todos os lamentos e deve, sim, ser investigado para que os culpados sejam punidos. Mas a religiosa foi apenas mais uma pessoa a morrer em conflitos agrários, num país que dá de ombros para os infelizes que vivem em seus rincões. Todos os anos, cerca de cem brasileiros são assassinados na guerra no campo. Diferentemente do que se imagina, raramente as vítimas são militantes do MST. Na maioria dos casos, os mortos são agricultores como Sebastião de Souza. Gente que não costuma invadir propriedades, nunca apareceu de boné vermelho no "Jornal Nacional" e que não quer nada além de um pedaço de terra para plantar e sustentar a família.
Nem sempre os corpos que tombam sem vida são de lavradores. Advogados, sindicalistas e religiosos como Dorothy Stang também são alvo fácil para os fazendeiros, madeireiros e políticos. E eles matam ou mandam matar quem bem entendem porque têm certeza de que não serão punidos. As estatísticas retratam bem essa realidade. Nos últimos 19 anos, quase 1.500 pessoas foram assassinadas em conflitos agrários no Brasil. Apenas 122 casos -cerca de 8%- foram levados a julgamento. Nove mandantes dos crimes foram condenados. Nenhum deles está preso. É esse o ponto da questão. A impunidade é o mais saboroso e nutritivo alimento da guerra no campo.
De nada adianta mandar homens e helicópteros do Exército para o Pará. De nada adianta criar novas reservas ecológicas. Essas iniciativas não surtirão efeito algum nos conflitos agrários. Primeiro, porque as mortes não ocorrem apenas no Pará nos últimos 20 anos, houve registros de mortes em disputas por terra em todos os Estados do país. Segundo, porque os garotos do Exército têm tanta habilidade para enfrentar esse tipo de problema quanto o papa João Paulo 2º para jogar futebol. O que tem de ser feito, isso sim, é uma reforma dura no Judiciário. Juiz não é Deus até que se prove o contrário e os magistrados precisam, sim, ter o trabalho fiscalizado. Enquanto nossa Justiça continuar passando a mão na cabeça dos mandantes desses crimes, sem mandá-los para a cadeia, esses homicídios não terão fim.
Há dois anos, foram julgados em Belém, no Pará, os fazendeiros Adilson Laranjeira e Vantuir Gonçalves, apontados como mandantes do assassinato do agricultor João Canuto, morto no município de Rio Maria, sul do Pará. À época do crime -dezembro de 1985-, Adilson Laranjeira era prefeito de Rio Maria. Os réus foram considerados culpados. A sentença, proferida pelo juiz Roberto Moura, foi de 19 anos e dez meses de prisão para cada um. Mas o juiz concedeu aos condenados o direito de recorrer da sentença em liberdade. E enquanto você lê esse texto, Adilson Laranjeira e Vantuir Gonçalves devem estar bebendo uma cerveja gelada, para aplacar o calor inclemente do sul do Pará. Sim, porque eles ainda moram na região. Quando deve ser realizado o segundo julgamento, ninguém sabe. Nem a Justiça. Pode ser daqui a dez, 15, 20 anos. Pode ser que nunca aconteça. Ou você acha que Laranjeira e Gonçalves vão ficar esperando ser convocados para um segundo julgamento?
A Justiça, na sua imensurável cegueira, acha que sim. Da mesma forma que o presidente Lula acha que enfeitar as ruas de Anapu, município paraense onde a missionária Dorothy Stang foi morta, com seis tiros, com soldados vestidos de verde vai resolver alguma coisa. Não vai. Essa gana em punir os assassinos e o mandante do homicídio da religiosa americana tem ser de vista em todos os casos de homicídios por questões agrárias do Brasil. Na semana passada, outras três pessoas foram mortas na guerra no campo do Pará. São mortes que merecem receber tanta atenção quanto a de Dorothy Stang. A vida da missionária americana vale tanto quanto a de um pobre coitado que não tem onde cair. Morto.
--------------------------------------------------------------------------------
Klester Cavalcanti, 35, jornalista, autor do livro "Viúvas da Terra -° Morte e Impunidade nos Rincões do Brasil" (ed. Planeta, 2004), é editor da revista "Contigo" Renato Guimaraes | comentários(1)
18/02/2005 12:37 Eles fazem a m... e nós é que nos f...
Do blog do Noblat:
Um reacionário perigoso
SS está agradando a muitos e parecendo engraçadinho a outros tantos. Mas ele é um político perigoso que ganhou a presidência da Câmara cavalgando o surto de insensatez da maioria dos seus pares.
O jornal Globo teve o cuidado de levantar alguns dos projetos de lei apresentados por Severino ao longo dos seus últimos três mandatos, e que não foram votados até hoje. Ei-los:
ABORTO
Suspende norma técnica do Ministério da Saúde que permite aborto nos hospitais em casos de estupro e violência sexual.
Estabelece penas de reclusão para mães que fazem aborto de fetos com má formação e anencefálos.
FAMÍLIA
Criação do Ministério da Família.
SEXO
Proíbe cirurgia plástica reconstrutiva para troca de sexo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
SEXO NA TV
Tipifica como ação criminosa a exibição pelas TVs de cenas de nudismo e relações sexuais.
Cria prazos para que as emissoras de televisão sejam equipadas com dispositivo que impeça a transmissão de programas impróprios para menores de 18 anos em determinados horários.
Propõe que Ministério da Justiça crie a Delegacia do Telespectador para punir emissoras que praticarem desvio de função.
CLONAGEM
Define como ação criminosa qualquer tipo de clonagem humana.
(Comentário meu: tais idéias não sairam da cabeça de um político apenas conservador, mas reacionário.
Cassar o direito da mulher abortar em caso de estupro?
Estabelecer pena de reclusão para a mulher que abortar feto com má formação ou sem cérebro?
Censurar a programação das emissoras de tv e punir aquelas que exibam cenas de nudez e de relações sexuais?
Criminalizar qualquer tipo, qualquer tipo mesmo de clonagem?
Severino é um dinossauro. É um político atrasado que ainda mantém os dois pés no período de trevas em que foi cevado - o da ditadura militar. Está na contramão da História
Pode ser um prato cheio para chargistas, admito.
Pode estar fazendo a alegria dos jornalistas que não o levaram a sério antes.
Mas nada tem de um político folclórico e inofensivo.
Para a política e os costumes do país, não passa de um anacronismo perverso catapultado para o meio do palco pela incompetência do governo e do seu partido, e a irresponsabilidade de uma oposição que se diz moderna, afinada com o Primeiro Mundo.
Com o Primeiro Mundo de Bush Jr., até que parte da oposição e o próprio Severino estão mesmo afinados. Renato Guimaraes | comentários(0)
17/02/2005 21:18 Pau no Bush
Vi essa piada circulando por aí e não resisti a traduzir...
O Presidente Bush visita uma sala de aula de uma escola primária. Eles estão no meio de uma aula sobre as palavras e seus significados. A professora pergunta ao Presidente se ele não quer liderar um debate sobre a palavra “tragédia”. Bush pede então que os alunos dêem exemplos de significados para a palavra “tragédia”.
Um aluno se levanta e diz: Se o meu melhor amigo, que vive numa fazenda, está brincando no campo e um trator passa por cima dele e o mata, isso será uma tragédia.
Não, diz o Presidente, isto será um "acidente".
Uma pequena aluna levanta, então, sua mão e diz: Se um ônibus escolar com 50 crianças caísse de uma ribanceira matando todos os ocupantes, isto sim seria uma tragédia.
Acho que não, diz Bush. Isto seria o que chamamos de uma "grande perda".
A sala fica em silêncio. Nenhuma outra criança se oferece para falar. Bush olha ao redor. Não há alguém que queira me dar um exemplo de uma tragédia?, pergunta.
Finalmente no fundo da sala o Joãozinho levanta a sua mão. Numa voz baixa ele diz: Se o Air Force One, com o senhor abordo, fosse abatido em pleno ar por um míssel enviado por nossa própria gente e ficasse em pedacinhos, isto seria uma tragédia.
Fantástico, exclama Bush. Exatamente. E você poderia nos explicar por que isso seria uma tragédia?
Bem, diz o Joãozinho, porque certamente não seria uma "grande perda" e provavelmente não seria um "acidente" também.
Renato Guimaraes | comentários(0)
16/02/2005 13:03 Deserto de lei
O assassinato da irmã Dorothy Stang, no última dia 12, joga luz sobre um tema que é ignorado na maioría do país: o Pará é um estado sem lei, uma espécie de faroeste caboclo versão remix onde as invasões e grilagem de terras, a ação predatória das madeireiras, a violência e assassinatos sistemáticos e o trabalho escravo são parte do cotidiano que só recebe alguma atenção da grande imprensa quando é assassinada uma liderança de maior projeção internacional.
O pior é que a morte da religiosa estava mais do que escrita nas estrelas. Não apenas dela, como de muitas outras lideranças locais menos conhecidas. Há uns dois anos, o Greenpeace havia lançado um relatório denunciando a terra de ninguém em que está se transformando o Pará.
O documento, chamado “Estado de Conflito”, merece ser lido (está aqui). É muito bem escrito e traz dados assustadores. Um exemplo: O Pará tem o maior índice de assassinatos ligados a conflitos de terra no Brasil. Entre 1985 e 2001, cerca de 40% das 1.237 mortes de trabalhadores rurais no Brasil aconteceram no Pará.
Mais dados? O Pará lidera os índices de escravidão no Brasil. Durante o primeiro semestre de 2003, o Pará respondeu por 60% de todos os trabalhadores libertados no Brasil pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, do governo federal.
Quando Chico Mendes foi assassinado há mais de 15 anos se pensou que a indignação mundial fosse produzir alguma mudança. Na verdade, além da retórica de sempre por parte das autoridades pouco foi feito de concreto. E até o governo Lula, de quem se esperava algo mais nesta área, tem se mostrado pouco capaz de mudar a situação na Amazônia. Aliás, poucos dias antes do assassinato da Irmã Dorothy o governo federal havia cedido à chantagem dos grileiros e permitido a extração de madeira de áreas das quais não possuem o título de propriedade. A história está aqui.
Vamos ver agora se passa da retórica para a ação concreta. Porque o blablabla das autoridades chega a ser criminoso quando deixa à mercê dos bandidos as pessoas e organizações que de verdade estão fazendo alguma coisa para evitar que o Pará, e a Amazônia como um todo, se transformem de vez em um deserto.
Atualização I
Deu no Globo de hoje:
Mesmo diante da forte repercussão da morte da freira Dorothy Stang, pistoleiros voltaram a agir e mataram ontem a tiros o ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Parauapebas, no Pará, Daniel Soares da Costa Filho, e o colono Carlos Branco, encontrado morto perto do lugar onde a missionária foi assassinada. Com isso sobe para quatro o número de pessoas ligadas a conflitos agrários mortas no Pará nos últimos três dias.
Sem comentários...
Renato Guimaraes | comentários(0)
24/01/2005 20:05 Mais empulhação
Essa história de o Itamaraty deixar de considerar o inglês como eliminatório na prova para ingressar no Instituto Rio Branco virou a bola da vez para sentar o pau no governo Lula. Depois da “encheção de saco” demagógica com relação ao “Aero-Lula” era preciso encontrar um outro tema para mostrar como o PT no governo é “obtuso” e “primitivo”. E taca mais demagogia, preconceito e desinformação alardeada aos quatro ventos pelos principais meios de comunicação e “formadores de opinião”. É só sacar a capa da Veja desta semana.
Ia escrever como este assunto é mais um embuste mas me deparei com um pequeno artigo do jornalista Mino Carta na edição desta semana da Carta Capital. Ele diz tudo que eu gostaria de dizer, com mais qualidade e estilo. Reproduzo o texto abaixo.
PS: Esta semana estou em Porto Alegre para o Fórum Social Mundial. Logo escrevo algo e coloco algumas fotos.
MINO CARTA
QUANDO MIAMI VIRA A MECA
Por que a mídia quer que a prova de inglês seja eliminatória para a admissão ao Itamaraty
A mídia nativa, por meio de seus editorialistas, analistas e colunistas, abre fogo contra o chanceler Celso Amorim, réu pela decisão de acabar com o exame eliminatório de inglês na prova de admissão ao Itamaraty. O conhecimento da língua de Chaucer e Shakespeare, como se apressa a lembrar um editorial de Veja, passa apenas a contar pontos, nem mais, nem menos, que o da língua de Molière e daquela de Cervantes. (A referência ao escritor francês e ao espanhol é da lavra do acima assinado.)
Espanto dos jornalistas e dos seus patrões, e da classe afluente verde-amarela, a qual enxerga em Miami, em Nova York na melhor das hipóteses, a sua meca. Não há quem sofra, porém, qualquer gênero de inquietação se o Banco Central convoca para os postos-chave figuras notórias do mercado financeiro, destinadas a retornar aos pagos tão logo deixem o cargo público.
Em outros países, entre os mais adiantados, não se exige diploma em língua estrangeira para o ingresso na diplomacia. Em compensação, o equivalente ao nosso BC é administrado obrigatoriamente por funcionários de carreira, a compor um quadro estável que se perpetua independentemente dos resultados eleitorais.
O chanceler Amorim esclarece que o propósito da sua portaria é remover um “fator elitista”. E acrescenta: “Prefiro um diplomata que conheça bem o português e a história do Brasil a outro que fale bem o inglês”. Argumentos válidos, é inegável, apresentados por quem se exprime fluentemente em inglês e em outras línguas. Desprezados, no entanto, por quem colhe na decisão a evidência da xenofobia.
Tampouco adianta observar que o curso do Instituto Rio Branco, que habilita ao Itamaraty, dura 2 anos, tempo bastante para aprender inglês. Ocorre que, aos ouvidos de influentes e afluentes, a portaria de Amorim emite som petista. Ecoa a pretensa incultura do governo encabeçado por um ex-metalúrgico, quem sabe inclinado à revanche de deliberado sabor esquerdista em relação aos doutores.
A mídia nativa tem sido muito eficaz na proposição de clichês, prontamente engolidos pela distinta platéia, mesmo porque os próprios mestres midiáticos acreditam no que dizem. Diplomas, bem como o conhecimento do inglês, não são garantia de saber. Haja vista o atraso do País, em perfeita sintonia com o da sua elite. Vivemos ainda, de muitos ângulos, uma Idade Média. E é por isso que o chanceler Amorim é a Geni da vez, enquanto o presidente do BC age como bem entende.
Renato Guimaraes | comentários(5)
21/01/2005 13:12 Uma boa surpresa em Brasília
Vou contar um segredo... Vanessa e eu temos um sonho antigo, tipo projeto de vida, de um dia ter uma espécie de bistrô, misturado com livraria, cafeteria e com possibilidades de um showzinho intimista ao vivo. Um dia a gente chega lá...
Mas essa noite vi que alguém conseguiu concretizar este sonho. O Guilherme Brady, um niteroiense da gema e colega de trabalho da Oxfam aqui em Brasília (onde estou esta semana) abriu faz um tempo, com a mulher e a cunhada, um misto de livraria e bistrô chamado Rayuela.
O lugar é muito legal, com espaço para um bom papo, para ler e comprar excelentes livros e com um um lounge no segundo andar com uma lojinha anexa de CDs da melhor qualidade, escolhidos pessoalmente pelo Guilherme. Não preciso nem dizer que da minha excursão pelo acervo de CDs não pude deixar de sair com alguns, incluindo uma pérola do Dom Salvador e Abolição, samba-rock de primeira, o CD Technicolor, dos Mutantes (verdadeira obra de arte) e um independente chamado Recife Roque Mangue, com o melhor da produção roqueira “mangue-beatiana” de Pernambuco. Isso sem falar de “Cartola ao Vivo”, último registro ao vivo do mestre. Já deu pra sentir a qualidade do acervo do Rayuela.
Bom, tudo isso para dizer que Brasília continua surpreendendo e que se você estiver pela cidade não deixe de visitar o Rayuela. Procura o Guilherme e diz que soube do bistrô pelo blog. De repente se você se animar e comprar um bom sortimento de CDs rola até um desconto (não garanto nada...). O endereço é 412 Sul – Blobo B – Loja 3 - Tel: 245-4335.
PS: Enquanto estava digitando estas mal traçadas linhas, zapeando caí na MTV e estava passando um programa do João Gordo, que eu não havia assistido até agora. O João Gordo, que demorei a reconhecer porque está quase magro, e a sua esposa paraguaia (quer dizer argentina) estavam numa cozinha preparando uma sangria e entrevistando o Zé do Caixão. Muito legal. Antes de entrar o intervalo o Zé do Caixão lançou uma maldição nos telespectadores: caso mudassem de canal seriam obrigados a ouvir “Minha egüinha pocotó” pelo resto da vida com o volume aumentando até estourar os tímpamos. Por via das dúvidas nao mudei de canal mesmo...
Renato Guimaraes | comentários(5)
05/01/2005 20:58 Num cyber em Paraty
Desculpem a falta de notícias no blog. Juro que não abandonei o meu filhote, principalmente às vésperas de completar um ano. Tenho uma boa justificativa: estou de férias. Mais precisamente agorinha mesmo estou teclando de um cyber café em Paraty. Da janela do cyber vejo o casario antigo dessa cidade maravilhosa. Demais... Logo darei novas notícias... Renato Guimaraes | comentários(3)
16/12/2004 17:53 Cadê o retorno?
“... entra o coronel aos gritos: “Eu vou matá aquele sacana!... Ói, já dei ordem pra polícia não deixá vocês sair do hotel. Nóis vamo lá agora explicar que o Tim [Maia] ficou doente. Essa é a chance que eu vou dar pr’aquele cabra da peste. Vamos dizer que ele vai fazer duas apresentações amanhã, para compensar. Se aquele sacana não vier, vou mandá um cabra pro Rio pá acabá com a raça dele.”
Esse um pedacinho de uma das deliciosas histórias sobre Tim Maia contadas pelo pianista Dom Pi, que fez parte da formação original da heróica Banda Vitória Régia. Para saber como termina só lendo aqui o texto completo da reportagem publicada em NoMínimo.
Renato Guimaraes | comentários(4)
14/12/2004 16:01 Lula imbatível Deu no Globo:
Pesquisa CNT/Sensus revela melhora na avaliação do governo e de Lula
"... a pesquisa apurada pelo instituto Sensus [e divulgada nesta terça] revelou também um aumento na avaliação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula. A aprovação pessoal do presidente também teve um grande aumento, subindo de 58,8% em setembro para 65,4% em dezembro, enquanto a desaprovaçao caiu de 30,7% para 26,7%. A pesquisa ouviu duas mil pessoas nos dias 7, 8 e 9 de dezembro de 2004."
Mais aqui.
Renato Guimaraes | comentários(0)
12/12/2004 02:58 “Longa é a tarde... Breve é a vida..."
Eu queria escrever alguma coisa sobre os 10 anos de morte do Tom Jobim, principalmente depois que Vanessa e eu acabamos de ver um especial na Globo Internacional sobre o maestro. Mas aí me lembrei que há quase um ano havia escrito um post no PeruPosible, quando ainda dividia o blog com a Vanessa. Ali está escrito tudo o que eu gostaria de dizer. Como a maioria dos meus 17 leitores provavelmente não leu o texto, estou republicando-o abaixo. O texto original foi publicado em 5 de janeiro de 2004.
/////////////////////////////////////////////////////////////////////////////
Ultimamente tenho redescoberto o Tom Jobim. Gosto de ouvir os CDs dele que eu tenho e redescubro muitas músicas nas quais nunca tinha prestado uma atenção maior. Ontem à noite, na longa viagem de regresso de Pirapora (norte de Minas) para São Paulo (15 horas de viagem) fiquei ouvindo vários CDs. Em um deles havia a música “Passarim”(“Passarim quis pousar, não deu, voou...”). Fiquei escutando a música e vendo pela janela o céu estrelado da madrugada sobre Minas. Ao meu lado Vanessa dormia com o Mateus no colo. Pela primeira vez realmente prestei atenção na letra e na melodia e percebi o quanto esta música é bonita e como o Tom Jobim faz falta para o Brasil, nove anos [agora 10] depois da sua morte.
Guardo uma lembrança muito especial do Tom Jobim, ao mesmo tempo feliz e triste. Há nove anos, quando ele morreu, eu e Vanessa estávamos hospedados na casa de retiros do Colégio Assunção, em Santa Teresa. Não participávamos de nenhum encontro religioso, mas de um seminário que reunia representantes de ONGs de diversas partes do mundo. Na época trabalhávamos em uma ONG do Rio de Janeiro que estava organizando o evento.
Vanessa e eu havíamos nos conhecido alguns meses antes, quando ela se apresentou para tentar uma vaga de estágio comigo. Quando a vi pela primeira vez o meu coração quase parou. Ela perguntava se era ali que poderia se inscrever para a vaga e eu pensava: “Uau, que mulher maravilhosa!” Ela se inscreveu e foi selecionada para a vaga porque, além de ser a minha preferida, era a melhor candidata. Nisso, tenho a consciência tranqüila, apesar de ela me sacanear às vezes dizendo que eu manipulei o resultado.
Não muito tempo depois que ela iniciou o estágio, começamos a namorar. Namoro escondido, porque não queríamos que as pessoas que trabalhavam conosco percebessem e começassem a comentar, sei lá... Apesar de que na época casos entre estagiárias e chefes não estivessem tão na onda como depois do escândalo Clinton-Levinsky.
Seja como for, até dezembro de 1994 ninguém no meu trabalho sabia oficialmente que estávamos namorando. Fomos trabalhar junto na equipe que organizava o seminário no Colégio Assunção. Ficamos em quartos separados e à noite tínhamos de bolar estratégias para fugir um para o quarto do outro sem ser percebidos. Foram momentos muito românticos que dão sabor especial a qualquer início de relacionamento e deixam um sabor de nostalgia na nossa memória.
Tom Jobim entra nessa história porque em uma das noites estávamos conversando com outros participantes do seminário quando o Jornal Nacional deu a notícia da morte do maestro. Vanessa, eu e todo mundo ficamos chocados ouvindo a notícia. Não podíamos acreditar. Diversos dos estrangeiros que estavam lá conheciam bem a obra de Tom Jobim e também ficaram muito tristes. Ficamos recordando músicas dele e eu sentia intimamente que toda uma época ia embora com o maestro.
Mas no fim, a minha lembrança é mais positiva, que negativa. Depois disso, sempre que ouço qualquer coisa do Tom Jobim me lembro dos bons momentos que passamos no Colégio Assunção, que fica debruçado sobre a entrada da Baía de Guanabara, com todas as luzes do Rio de Janeiro a seus pés e as estrelas brilhando em algumas das noites mais lindas de que me recordo.
Regressando de Minas ontem, olhando o céu estrelado e ouvindo Tom Jobim tudo voltou à minha memória de novo. É gozado como nossa memória segue caminhos tortuosos para montar nossas lembranças. De repente, me vem à cabeça outra música do Tom Jobim que me lembra aqueles momentos:
Fotografia
Eu, você, nós dois
Aqui neste terraço à beira-mar
O sol já vai caindo
E o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar
Você tem que ir embora
A tarde cai
Em cores se desfaz
Escureceu
O sol caiu no mar
E a primeira luz lá embaixo se acendeu
Você e eu
Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que este bar
Já vai fechar
E há sempre uma canção para contar
Aquela velha história de um desejo
Que todas as canções têm pra contar
E veio aquele beijo
Aquele beijo
Aquele beijo
Comentário da Vanessa: como já diria o Mateus: uau, nove anos [agora são 10]! Que mais posso dizer além do já batido “não somos tão velhos quanto parece (ou será que somos???)”
Renato Guimaraes | comentários(1)
10/12/2004 02:14 Quem disse que um tapinha não dói?
O Congresso está discutindo uma nova lei proibindo qualquer tipo de castigo físico em crianças e adolescentes. Ou seja, se a lei for aprovada e sancionada, o famoso "tapinha no bumbum" vai acabar em punição. Mas para os pais. Sei não, mas acho que esta é mais uma dessas leis que, embora bem intencionadas, não vai pegar.
Na verdade o que se está discutindo no Congresso é a retirada de um dispositivo do artigo 395 do Código Penal segundo o qual é passível de perda de pátrio poder somente o caso dos pais de batem de forma "imoderada" em seus filhos. A argumentação é que é muito subjetivo determinar o que é moderação ou falta de moderação. Se esta ressalva for retirada, qualquer ato de castigo físico nos filhos, incluindo as palmadas no bumbum, será considerado um crime.
Imagina a cena (comum nos fins de semana): a criança começa a fazer birra, chorar, espernear etc. no shopping ou na fila do banco, os pais se irritam e dão uma sacudidela mais forte no braço do pimpolho ou então lhe sapeca um tapa no bumbum. Passa um policial por perto ou alguém do Juizado de Menores, vê a cena e invoca o Estatuto da Criança e do Adolescente para punir os pais espancadores.
Entre as punições se inclui o encaminhamento a um programa oficial de promoção da família, tratamento psicológico ou psiquiátrico, ter de freqüentar cursos em programa de orientação e ser obrigados a encaminhar seus filhos a tratamento psicológico.
Se isto é levado à sério, vai faltar espaço nos centros de atendimento às famílias. Reconheço que é muito subjetivo determinar o que moderado ou não e sei de muitos pais que desafogam suas frustrações nos filhos de maneira violenta, apesar de os amarem. Mas também me lembro que tomei as minhas palmadinhas quando era criança e não fiquei traumatizado por isto. Depois que a gente se torna pais vê que a dinâmica em uma família é muito particular. Por isso mesmo desconfio que mesmo os membros do congresso que estão discutindo a lei provavelmente seriam enquadrados nela em algum momento.
Renato Guimaraes | comentários(2)
02/12/2004 15:55 Você não soube me amar...
Li no Globo uma reportagem sobre o “Almaque dos anos 80”, uma idéia bem sacada que mapeia os altos e baixos da década que consagrou o Circo Voador. Quem tem mais de 30 anos vai viajar no tempo ao ler o livro e lembrar-se de coisas como as onipresentes mochilas (e tudo mais) da Company, da Armação Ilimitada (para mim um dos melhores programas da TV brasileira de todos os tempos) e TV Pirata, da Blitz e da Marina (ainda não era Lima) cantando Fullgás, do McGyver, da Lambada, do Menudo e outras tranqueiras do tipo e por aí vai.
Uma viagem no tempo imperdível. A matéria completa pode ser lida aqui. Abaixo um trecho do livro.
"Roupas que marcaram a década”
Para elas:
- Vestidos trapézio
- Saia balonê
- Calça fuseau - Larga em cima, estreita embaixo e com uma tira sobre os pés
- Calça Fiorucci desbotada
- Calça baggy e semi-baggy - De preferência da Philippe Martin, que deixava as meninas parecendo palhaças. Mas ninguém achava isso na época.
Para eles:
- Camisa da Hang Ten
- Camisa da Cristal Grafitti
- Camisa e bermuda da Hang Loose
- Calças da OP de popeline e em cores cítricas
- Bermudas da OP e da Sundek, as duas com velcro
- Bermuda da Company, com o "C" costurado no cantinho inferior
Eles e elas usavam:
- Moleton com capuz
- Camisa da Pier (isso bem no início, porque logo virou brega)
- Camisetas com estampas de letras brilhantes (as meninas escreviam o próprio nome)
- Calça USTop
- Calça carpinteiro da Company
- Calça de veludo cotelê
Acessórios fundamentais
- Carteiras emborrachadas e fechadas com velcro.
- Mochilas emborrachadas.
- Mochila jeans da Cantão 4 (com um raio no lugar do "N") - Chegar com uma dessas no começo do ano era uma sensação.
- Chaveiro-mola - Era aquele de fio de telefone, que normalmente tinha cores berrantes. Foi lançado pela Pier no verão de 1984 e virou febre em cada camelô da esquina. Também ficou conhecido como chaveiro do Greg, o personagem de Cássio Gabus Mendes na novela Champagne, que usava um preso na calça.
- Chaveiro de borracha da K&K em forma de pé-de-pato
- Chaveiro de plástico da OP em formato de raquete
- Chaveiro que respondia ao assovio - Vendido nos melhores camelôs. Quando perdia, bastava assoviar que ele fazia um barulhinho eletrônico, parecido com o de celular.
- Pochete emborrachada ou de nylon (sim, já usamos pochete, inclusive para tirar onda à noite...).
- Pulseirinhas de linha - Nos anos 80, as sacolas dos supermercados eram de papel e vinham com uma alça de plástico preta. A meninada a cortava para ser a parte de dentro de pulseirinhas coloridas, feitas com linha de costura. Geralmente ficavam com o nome da pessoa ou de um time.
- Ombreiras (tinha até sutiã de ombreira)
- Lenço com estampa indiana da Company amarrado no pescoço, com um nozinho na frente
- Carteira da Company.
- Mochila da Company.
- Chaveiro da Company - Com o "C" no meio, que saía de um quadrado de borracha de outra cor.
- Chapéu da Company - Aquele que tinha uma aba virada. As cores eram verde e azul.
- Aliás, tudo da Company...
Renato Guimaraes | comentários(7)
/BlogInicioPost?>
|